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sábado, 30 de abril de 2011

Rainha Elizabeth II é descendente do Profeta Muhammed

Esta postagem é a tradução de um pequeno comentário que o Professor Juan Cole fez em seu website (Informed Comment) sobre uma materia publica no United Press International em 1986 sobre as ligações sanguíneas da família real britânica - que recentemente recebeu uma nova integrante, na ocasiãodo casamento do principe William - com o Profeta Muhammed, através de seu neto Hussein. Esta é mais uma grata surpresa que enfraquece as bases ideológicas do suposto "Choque de Civilizações" e nos revela como a monarquia européia é tão heterogênia, em suas raízes genealógicas.
Radamés Rodrigues

A Rainha Elizabeth II é descendente do Profeta Muhammed

 Por Profº Juan Cole
A Rainha Elizabeth II
Fiquei surpreso que os escritores de comentários no Salon.com, não sabiam da informação a seguir. é do conhecimento geral de todos os interessados em genealogia .
Eu sei que é difícil para as pessoas engajadas em uma dura dicotomia entre Oriente/ Ocidente para imaginar que o ícone da  civilização ocidental, a família real britânica, tem antecedentes árabes muçulmanos (juntamente com uma série de outras nacionalidades é claro).
O  Grande Mediterrâneo tem misturado todos ao longo de milênios. A maioria dos sicilianos (ou seja, a maioria dos ítalo-americanos) também tem antepassados ​​árabes muçulmanos. Ele funciona no sentido inverso, também. É óbvio que um monte de egípcios, libaneses e jordanianos tem descendência dos cruzados cristãos da Europa.
Isto significa apenas que os ancestrais de Hussein (ou da família Hussein, muito respeitada no mundo árabe) são mais comuns entre os europeus e os americanos do que se pensa. Elizabeth II não pode ser descendente do profeta Maomé sem ser também descente de seu neto, o original Husayn/ Hussein, uma vez que esta é a linha de descendência dos Sayyids.

Aqui segue a matéria de 10 de outubro de 1986 na sua versão original em inglês:


United Press International
October 10, 1986
MOSLEMS IN BUCKINGHAM PALACE

"Mixed in with Queen Elizabeth’s blue blood is the blood of the Moslem prophet Mohammed, according to Burke’s Peerage, the geneological guide to royalty. The relation came out when Harold B. Brooks-Baker, publishing director of Burke’s, wrote Prime Minister Margaret Thatcher to ask for better security for the royal family. ”The royal family’s direct descent from the prophet Mohammed cannot be relied upon to protect the royal family forever from Moslem terrorists,” he said. Probably realizing the connection would be a surprise to many, he added, ”It is little known by the British people that the blood of Mohammed flows in the veins of the queen. However, all Moslem religious leaders are proud of this fact.”
Brooks-Baker said the British royal family is descended from Mohammed through the Arab kings of Seville, who once ruled Spain. By marriage, their blood passed to the European kings of Portugal and Castille, and through them to England’s 15th century King Edward IV. ‘"

E aqui seguem algumas fotos do Principe Charles, o herdeiro direto na sucessão ao trono da Inglaterra:




domingo, 10 de abril de 2011

A vida de Muhammad através da interpretação de seu seguidor filosofo

É com imenso prazer que público esta resenha do coordenador do departamento de linguas orientais da USP, o Prof. Mamede Mustafa Jarouche, que entre outros trabalhos notaveis é tradutor da coletânea de histórias conhecidas como As Mil e Uma Noites. O texto a seguir é uma resenha de uma importante biografia do Profeta Muhammed (conhecido dentro da teologia islâmica como sira), escrito por ninguém menos que Martin Lings. Lings foi um grande estudioso da lingua árabe e cultura islâmica, seus textos (infelizmente, poucos já possuem edição nacional) abordam temas do Islam tradicional, da espiritualidade islâmica (tasawwuf) e assuntos de cunho esotérico (a dimensão interior das religiões que são na verdade a transmutação para o estágio conceitual dos valores que permeiam os atos devocionais) abordados a partir de um aporte teórico que ficou conhecido na filosofia e ciências humanas de modo geral como Sophia Perennis ou perenialismo. Para os interessados em adquirir a obra podem faze-lo no site da editora Attar.
Radamés

Maomé por um fiel do Ocidente

Por Mamede Mustafa Jarouche

 

Conta a tradição muçulmana que o próprio Muhammad (m. 632 d.C.), fundador da religião muçulmana, teria recomendado aos discípulos que se abstivessem de relatos sistemáticos sobre as suas ações. Seu argumento, deveras razoável e ponderado, era o de que, sendo ele um simples ser humano – embora investido de missão profética, segundo a crença da religião que fundou – cometera tanto acertos como, eventualmente, erros, de modo que lhe registrar as ações, conferindo- lhes caráter sagrado, poderia consistir, aos olhos do vulgo, em legitimação de atos nos quais ele porventura houvesse cometido algum equívoco e depois se arrependido.
Lings usa fontes tradicionais sem modismo
A recomendação foi quebrada menos de um século após a sua morte, com registros basicamente divididos em dois gêneros: de um lado, a sira, biografia propriamente dita, que obedece ao formato tradicional das biografias, relatando sistematicamente toda a sua vida, desde a origem e apresentando o claro propósito de fortalecer o moral dos muçulmanos com uma narrativa exemplar que enfatiza justeza e verdade da missão do profeta, bem como as suas façanhas, divinamente inspiradas, em defesa da nova fé; de outro, o hadith, conjunto de relatos sobre ações, ditos e mesmo silêncios do profeta que foram utilizados como uma das fontes da legislação e da jurisprudência islâmicas, ao lado do Alcorão e da sunna, a prática ortodoxa dos primeiros conversos ao islamismo. Nessa linha, o hadith é menos laudatório que a sira, pois obedece a determinações diversas e mais eminentemente pragmáticas, ao passo que a primeira, conquanto pudesse fazer parte dos rituais de adoração, também servia, ocasionalmente, a propósitos mais ornamentais; embora seja natural o interesse pela figura do fundador de sua religião entre os muçulmanos, as inovações no gênero são relativamente escassas, com eventuais compiladores e historiadores retomando o que dissera Ibn Hisham e utilizando as fontes usuais do hadith. Mais modernamente, em especial a partir do século passado, é que começaram, de modo tímido, a espocar novidades aqui e acolá no âmbito do islã.
O pioneiro na vertente da sira (biografia) foi Ibn Ishaq (m. 768 d.C.), cuja obra, pelo visto controversa, se perdeu, tendo sido resgatada e reescrita mais tarde por Ibn Hisham (m. 828 d.C.), que deu à narrativa sobre a vida de Muhamad o formato tradicional geralmente aceito até hoje, caracterizado por uma aura sagrada e honorável. Já na segunda vertente, o hadith, a palma cabe com todos os méritos a Muslim (m. 875 d.C.) e Al-Bukhári (m. 870 d.C.), compiladores e sistematizadores de grandeza ímpar. Aliás, esse segundo gênero, o hadith, teve enorme fortuna, com a produção de inúmeros tratados ao longo dos séculos, fato esse assaz compreensível caso se leve em conta a sua importância para a própria legislação muçulmana, a shari’a.
Ao contrário do programático convencionalismo das biografias escritas em terras do islã, no Ocidente, conforme seria de se esperar, os diferentes interesses em torno da personalidade do profeta bem como do próprio islã tornam a oferta mais variada, e isso desde os primórdios, na Idade Média, com textos que vão da diatribe mais aberta à proposta de conciliação, passando, também, pelo desejo honesto de compreender essa alteridade.
Moderna, a biografia do inglês Martins Lings (1909-2005), Muhammad, é mais uma tentativa, decerto a mais bem lograda no Ocidente, de tornar legível a biografia e os feitos do homem que lançou um dos maiores desafios que a cristandade teve de enfrentar. Convertido ao islã, Lings, cujo nome árabe era Abu Bakr Siraj Ad-Din, escreve um texto cuja raridade está justamente num hábil cruzamento a que poucos se arriscam: seu relato, por um aparte, utiliza com abundância, generosidade e respeito as fontes tradicionais, sem se deixar envolver por modismos críticos aplicáveis ao caso; de outro, não abre mão do rigor de explanação, com notas, remissões e citações constantes, que conferem um cunho de legitimidade acadêmica ao seu trabalho.O resultado é um texto escorreito, cuja fluência se lê com agrado, e aderente ao ponto de vista das fontes, plenamente justificada pela conversão do autor,muçulmano devoto. Essa adesão se faz de maneira bastante sutil,com recursos poéticos na medida certa, sendo possível citar como exemplo todos os relatos sobre eventos por assim dizer sobrenaturais, os quais, recolhidos nas fontes primitivas onde se encontram descritos, são reproduzidos com tal habilidade pelo autor que o leitor passa ao largo de sua “cumplicidade”, diga-se assim, com o biografado.
Enfim, um arabista não poderia ainda deixar de ressaltar, ao lado da qualidade material da edição, os cuidados com a transcrição dos nomes árabes, o que é inusual em muitas obras similares. Sem temer o risco de causar estranhamento no leitor, a edição não hesita em lançar mão de diacríticos nas letras latinas a fim de ficar mais próxima dos sons do original. Assim, o leitor não deve surpreender-se ao encontrar, logo na capa, a palavra Muhammad do título com um pingo sob o “h” para transcrever um fonema fricativo laringal surdo que existe em poucas línguas além do árabe.

 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Hádice

Este post é um ato de reproduzir um belo hádice (dito ou feito atribuido a Seyydina Muhammed (que a paz e as bençãos de Allah estejam com ele)) que o nosso irmão Marcelo Hinz utiliza como descrição de seu profile no site de relacionamentos Orkut. Gostaria de agradece-lo por nos lembrar dessas valiosas palavras e que Allah o Altíssimo o bendiga por este ato, e que assim seja! Amin.




Khálid Ibn Al Walid narrou:


"Um beduíno foi ter com o Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Deus, o Altíssimo, estejam sobre ele) e lhe pediu:
-Ó Mensageiro de Allah, vim te fazer algumas perguntas a respeito desta vida e da Outra.

Disse-lhe o Profeta de Deus:

-Pergunta o que quiseres. 

Pergunta: Gostaria de ser a pessoa mais sábia...
Resposta: Teme a Allah, e serás a mais sábia das pessoas.

P: Gostaria de ser a mais rica das pessoas...
R: Contenta-te, e serás a mais rica das pessoas no mundo.

P: Gostaria de ser a pessoa mais justa...
R: Deseja aos outros o que desejas a ti, e serás a mais justa das pessoas.

P: Gostaria de ser a melhor das pessoas...
R: Faze o bem aos outros e serás a melhor das pessoas.

P: Gostaria de ser a mais favorecida pessoa por Allah...
R: Ocupa-te cada vez mais em aprazer a Allah, e serás o mais favorecido por Ele.

P: Gostaria de completar a minha fé...
R: Se tiveres boas maneiras, terás completado a tua fé.

P: Gostaria de pertencer àqueles que praticam o bem...
R: Adora a Allah como se O estivesses vendo. Se não O estiveres vendo Ele te estará vendo. Dessa maneira
estarás dentre aqueles que praticam o bem.

P: Gostaria de ser obediente a Allah...
R: Se observares os mandamentos de Allah serás obediente.

P: Gostaria de estar livre dos pecados...
R: Banha-te das impurezas e estarás livre dos pecados.

P: Gostaria de ser elevado para a luz no Dia do Juízo Final...
R: Não faz mal a ti próprio nem a outras pessoas, e serás elevado na luz no Dia do Juízo.

P: Gostaria que Allah me concedesse Sua misericórdia....
R: Se tens misericórdia de ti e dos outros, Allah te garantirá Sua misericórdia no Dia do Juízo.

P: Gostaria que meus pecados fossem poucos...
R: Se pedires perdão a Allah, tanto quanto puderes, teus pecados serão muito poucos.

P: Gostaria de ser a mais honrada das pessoas...
R: Se não te queixares a nenhum dos teus semelhantes, serás a mais honrada das pessoas.

P: Gostaria de ser a mais forte das pessoas...
R: Se confiares em Allah, serás a mais forte das pessoas.

P: Gostaria de aumentar as minhas provisões...
R: Se te conservares puro, Allah aumentará as tuas provisões.

P: Gostaria de ser amado por Allah e Seu Mensageiro...
R: Se tu amares o que Allah e Seu Mensageiro amam, estarás dentre aqueles que são amados por Allah e Seu Mensageiro.

P: Gostaria de estar livre da ira de Allah, no Dia do Juízo...
R: Se não perderes a paciência com qualquer um de teus semelhantes, estarás salvo da ira de Allah no Dia do Juízo.

P: Gostaria que minhas preces fossem atendidas...
R: Se evitares o ilícito, as tuas preces serão atendidas.

P: Gostaria que Allah não me desonrasse no Dia do Juízo...
R: Se guardares a tua castidade, Allah não te desonrará no Dia do Juízo.

P: Gostaria que Allah me agraciasse com uma coberta protetora no Dia do Juízo...
R: Não descobre as faltas de teus semelhantes, e Allah te fornecerá proteção no Dia do Juízo.

P: O que me salvará dos pecados?
R: Lágrimas, humildade e enfermidade.

P: Quais são as melhores ações aos olhos de Allah?
R: Gentileza, modéstia e paciência.

P: Quem são as piores pessoas aos olhos de Allah?
R: Os exaltados e os mesquinhos.

P: O que aplaca a ira de Allah nesta vida e na Outra?
R: A caridade oculta e a bondade para com os pais.

P: O que extingue o fogo do Inferno no Dia do Juízo?
R: A paciência na adversidade e na desventura."

(Ahmad Ibn Hanbal)